| Demências - Doença
de Alzheimer
Prof. Sérgio Pereira Novis -
Chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário
Clementino Fraga Filho da UFRJ (HUCFF)
As demências constituem-se
atualmente num dos mais graves grupos de condições clínicas a
acometer as populações mais idosas. Nas últimas décadas, com o
controle adequado de doenças como a hipertensão arterial, as
infecções, o tabagismo etc., a humanidade vem aumentando seu tempo
de vida e a média de sobrevida dos indivíduos tem sido
progressivamente maior. Isto tem permitido que em todo o mundo
aumente o número de casos de demência. A doença de Alzheimer,
causa mais freqüente da demência, ocorre predominantemente em
pessoas acima dos 65 anos de idade.
A doença de Alzheimer se
caracteriza pela perda progressiva de funções intelectivas, isto
é, o indivíduo vai apresentando alterações na memória,
primeiramente não se recordando de fatos recentes, como onde deixou
um molho de chaves, um documento que guardara, um compromisso
agendado etc. Passa também a ter dificuldade para executar tarefas
do cotidiano, como ir ao supermercado para fazer as compras,
estabelecer cálculos simples como o de dar o troco, preencher
cheques bancários etc. A leitura fica igualmente prejudicada, pois
não retendo na memória o que leu, passa a ter dificuldade para
compreender o texto em seu significado. O não se recordar de um
amigo que reencontra casualmente também é fato marcante.
Progressivamente, vão surgindo problemas na utilização do
vocabulário e o paciente começa a ter dificuldade em denominar
objetos e pessoas, com erros ao tentar realizar tarefas simples como
se vestir, tomar banho, usar os talheres adequadamente para se
alimentar.
A esse conjunto de manifestações
clínicas, denominamos estado demencial. A demência, no entanto,
não ocorre exclusivamente pela doença de Alzheimer. Inúmeras são
as causas que podem determiná-la.
Entre os mais jovens, a causa mais
comum é a AIDS. O quadro clínico da encefalopatia pelo HIV se
caracteriza por um quadro demencial. Nos mais velhos, o mais comum
é a doença de Alzheimer, seguida da demência por múltiplos
infartos cerebrais. É muito importante estabelecer-se o
diagnóstico correto, pois algumas condições que podem
manifestar-se com quadros clínicos sugestivos de demência podem
ter tratamento específico, com recuperação completa e cura do
paciente. Neste grupo, encontramos o hipotireoidismo, a carência de
vitamina B12, o hematoma subdural crônico (complicação de
traumatismos cranianos), tumores cerebrais, infecções cerebrais
crônicas, a hidrocefalia de pressão normal (dilatação de
cavidades conhecidas como ventrículos cerebrais por dificuldade na
absorção do líquor).
A doença de Alzheimer, bem como as
outras formas de demência, necessitam, além do exame clínico e
neurológico completo, que o paciente se submeta a testes
psicométricos (sistema de perguntas e respostas que avaliam as
funções mentais superiores). Vários exames de laboratório e a
tomografia computadorizada (ou ressonância magnética) do crânio
também podem ser úteis. Com esses elementos o neurologista terá
condições de tratar o paciente baseado no diagnóstico da causa da
demência.
No tratamento da doença de
Alzheimer, emprega-se atualmente medicamentos como o ácido
tacrínico, que busca melhorar o teor cerebral de acetilcolina,
substância importante para a comunicação entre as células
nervosas. Não tem havido, no entanto, grande sucesso. Muito
importante no cuidado ao paciente com demência é a presença
constante ao seu lado de pessoa responsável para evitar acidentes.
O doente demenciado pode, por exemplo, ligar o gás do fogão ou do
aquecedor e se esquecer que o fez, causando sérias complicações;
pode ir para a rua sozinho e não mais acertar o endereço de casa
para voltar etc.
Existe a Associação de Alzheimer
(APAZ), dirigida pelo Dr. Jacob Guterman, que busca auxiliar as
pessoas que têm pacientes com Alzheimer sob sua responsabilidade,
os cuidadores, com excelente resultado não só no esclarecimento
sobre fatos importantes da doença, bem como na troca de
experiências sempre esclarecedoras.
O que é?
A demência é a deterioração das funções intelectivas como:
memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo,
capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento. Entre dezenas de
diferentes causas, a mais comum é a doença de Alzheimer, com
aproximadamente 65% do total das demências.
Quais as características da
doença?
No início, os hábitos mesmo há muito tempo cultivados podem
começar a se deteriorar, como o da higiene pessoal e da toalete, da
alimentação e o trabalho. O prejuízo da memória é
aproximadamente linear, começando pelos fatos mais recentes e
perdendo por último as recordações mais antigas. É no
aprendizado de tarefas novas onde melhor se avalia o início da
demência, porque o esquecimento como fato isolado não é
suficiente para realizar o diagnóstico. Com os prejuízos nas
atividades mentais, o comportamento geral se altera, podendo
tornar-se inconveniente, de cunho obsceno ou grosseiro, por
exemplo.
Quem pode ficar demente?
Por questões de definição, qualquer pessoa pode tornar-se
demente, desde uma criança até um idoso. Independentemente da
causa, qualquer um que venha a sofrer uma perda abrupta ou gradual
das funções mentais acima mencionadas, enquadra-se no
diagnóstico. Um jovem que sofra um acidente de carro com danos
mentais irreversíveis poderá se tornar um jovem demenciado.
Tratamento
A maioria das demências ainda não tem tratamento, mas há algumas,
como as causadas por deficiências hormonais, que podem ser
revertidas quando detectadas a tempo. A maneira mais certeira de se
descobrir uma demência ainda no começo é fazendo testes
neuropsicológicos.
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